APAE cada vez mais presente na pesquisa e no ensino

Olá Pessoal!!!

Nada como unir Ensino, Assistência e Pesquisa para a relação mais humanizada entre médico x paciente!

Esses são os pilares de metas para fortalecer na Instituição do novo Superintendente Voluntário da APAE, Antonio Carlos Lopes.

Defensor contumaz da qualificação permanente do exercício da medicina e do resgate da humanização na relação médico x paciente, o professor Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), é o novo Superintendente Voluntário do Conselho Científico da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (APAE).



Empossado recentemente, uma de suas metas é fortalecer ainda mais na instituição um tripé fundamental às atividades em saúde: ensino, assistência e pesquisa.

A partir destes pontos, Antonio Carlos Lopes conduzirá toda sua atuação, tendo como norte a contínua melhoria da assistência aos deficientes intelectuais.

Confira, a seguir, os planos para a APAE de Antonio Carlos Lopes, que em sua trajetória profissional já respondeu por cargos importantíssimos nos campos da medicina e da saúde, como o de diretor da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo, de secretário geral da Comissão Nacional de Residência Médica, do Ministério da Educação, e hoje também é diretor da Escola Paulista de Clínica Médica.


Que foco pretende dar à área médica da APAE?

Um dos objetivos primordiais é aproximarmo-nos das escolas médicas de todo o Brasil, a fim de trazer seus alunos para dentro da APAE – queremos incluir um breve estágio no currículo de diversas áreas da saúde para que seus egressos colaborem e conheçam os princípios e a relevância de nossa instituição para a sociedade.


Essa ideia se estenderá a âmbito nacional? Qual a importância para a APAE?

Esperamos agregar as 1.250 APAEs do País, por meio de teleconferência, no Congresso Nacional das APAES e simpósios, por exemplo. Alinharemos nossas ações, fortalecendo o ensino médico, trocando experiências com as instituições de ensino, conscientizando a todos sobre o trabalho de nossa Associação às pessoas com deficiência intelectual. Além de fortalecer o Congresso da APAE, também investiremos no ensino à distância, promovendo intenso networking entre as unidades de todo o Brasil. Uma das propostas é realizar conferências mensais, para disseminar conhecimento contínua e periodicamente. Aliás, buscaremos nivelar o conhecimento bem como nossos trabalhos e descobertas em pesquisas. Desta forma, fortalecemos a assistência, a disseminação das informações e seremos ainda mais coesos para a ruptura com a discriminação.


O que tem a comentar especificamente sobre os investimentos da APAE em pesquisa?

Temos o compromisso de estimular a propagação do conhecimento científico envolvendo a deficiência intelectual; inclusive nos setores mais carentes de estudos. Por exemplo, sabe-se que os portadores de Síndrome de Down envelhecem precocemente, contudo não contamos com aporte suficiente para compreender em detalhes tal relação. Precisamos de novos estudos para englobar o cenário ao qual estamos expostos. Hoje, nossos pacientes recebem mais cuidados do que a geração anterior, o que interfere no desenvolvimento do indivíduo e na resposta da doença. O Estado de São Paulo é visto pelas demais unidades da APAE como catalisador de informações – por isso a responsabilidade é ainda maior. Centralizaremos a pesquisa na comunidade da APAE, para que possamos trazer real benefício aos que sofrem com algum tipo de deficiência.


Como serão elaboradas as pesquisas?

A elaboração acontecerá em duas etapas. Primeiramente, separaremos doenças genéticas das não genéticas. Após este processo, desenvolveremos ambulatórios capacitados para dar continuidade aos casos; não somente fechar o diagnóstico e encaminhar ao Sistema Único de Saúde. Por fim, aproximaremo-nos de instituições internacionais referências no cuidado da deficiência intelectual – além de usarmos suas pesquisas, também convidando-as a participar de nosso Congresso. Uma das metas é unir, no mesmo nível científico, todas as APAES do País, feito que sonhamos ver concretizado com brevidade.



As pesquisas se concentrarão em alguma especialidade?

Ampliaremos o leque de pesquisa, debruçando-nos em diversas áreas da saúde. Para tanto, estamos convidando especialistas: um deles é o urologista pediátrico Antonio Macedo jr., que realiza trabalho muito interessante, inclusive com atenção especial não apenas aos pacientes, mas também às suas famílias. Uma vez munidos de respaldo científico de excelência, seremos capazes de promover mudanças na intervenção em medicina e ainda melhorar equipamentos e práticas terapêuticas. Exemplo disso é o papel dos nutrólogos dentro da APAE, cuja função é desenvolver uma biodieta que atenda às restrições dos pacientes e previna o agravamento de deficiências intelectuais.


Síndrome de Down, citada pelo senhor, terá atenção especial?

Planejo criar ambulatórios em diversas especialidades e um específico para a Síndrome de Down, no tocante à pesquisa. Não temos nada na literatura que defina bem os casos genéticos da doença. Quando aluno, participei de um trabalho que estudou a Síndrome de Down de forma multidisciplinar, abrangendo cardiologia, endocrinologia, pneumologia, nutrição, entre outras áreas. O foco era identificar as deficiências clínicas desses pacientes. Quero ampliar este trabalho por meio de um banco de pesquisa, no qual guardaremos o soro dos pacientes. Desta forma, sempre que houver alguma descoberta na medicina, podemos ver se o portador da Síndrome de Down também é contemplado. Também abordaremos a epigenética, modificações do genoma herdadas, mas que não alteram a sequência do DNA: aplicaremos a fim de entender os diferentes graus da síndrome. Aliás, em toda essa empreitada, teremos a participação ativa de um doa mais conceituados e qualificados geneticista do mundo, o professor Willy Beçak, do Instituto Butantan, que aceitou nosso convite para integrar o Conselho Científico.


Ainda existe muita discriminação em relação aos deficientes intelectuais. A desconstrução deste preconceito é um de seus objetivos?

Precisamos acabar com o preconceito. O portador de deficiência intelectual é muito discriminado na rua, nos shoppings, no ambiente de trabalho. Queremos desmitificar as doenças e começaremos isso por meio dos egressos de medicina, inserindo-os em nossa instituição. Além de sensibilizá-los, ainda forneceremos informação de qualidade sobre este paciente. Esse é um gripo importante de multiplicadores de informação, pelo acesso a milhões de outros indivíduos em seus consultórios, clínicas e hospitais.


Medidas legislativas também serão tomadas?

Promoveremos a inserção social, respeitando as características individuais. A Lei 8.213/91 prevê que empresas com mais de 100 funcionários tenham 10% de suas vagas preenchidas por pessoas com deficiência. Ainda que não seja responsabilidade direta da APAE, vamos entrar em contato com especialistas do Direito para ampliar a legislação que protege esses indivíduos e garantem seu espaço na sociedade. Por meio de nossas pesquisas, manteremos constante articulação visando levar este conhecimento aos órgãos responsáveis; estes, sim, envolvidos com o zelo pelos direitos dessa população. Inclusive, contamos com a ajuda e apoio do Professor Titular de Direito Penal da PUC-SP, Oswaldo Duek.


Pessoalmente, qual a importância de poder atuar dentro da APAE?

Este cargo exige compromisso ímpar, sobretudo com a história da APAE. Atuando presencialmente dentro da organização, terei a oportunidade de enaltecer os ganhos positivos para a comunidade, além de cultivar a memória desta instituição, que trabalha desde 1961 promovendo a inclusão da pessoa com deficiência intelectual e deve ser um exemplo para as gerações mais novas. O que a APAE fez até hoje exige enorme responsabilidade e comprometimento pelo aprimoramento social e de tecnologias.


Sabemos de todas as dificuldades e o preconceito que ainda impera em nossa sociedade mas quanto mais tivermos ações e pessoas comprometidas e preocupadas com este assunto melhor seremos como uma Sociedade!


Beijos IN e uma ótima semana curta aliás com feriadão prolongado por vir! :D